Diferentemente de alguém cansado, Mantovani mostrava-se eloqüente, e fez uma breve retrospectiva sobre a sua vida profissional.
Formou-se em Letras pela PUC-SP, já montou várias peças de teatro amador e trabalhou como jornalista da Folha de S. Paulo, fazendo matérias sobre teatro. “Falei de cinema na Folha apenas umas duas vezes”, recorda. Chegou a ser editor da Ilustrada, “mas daí meu nome começou aparecer muito, a idéia de status me assustava”. Aos 26 anos, o roteirista foi aos EUA sem saber falar inglês, e lá acompanharia Gerald Thomas na montagem de uma peça que acabou não acontecendo, pois, nesse ínterim, o diretor havia sido convidado para montar uma ópera na Alemanha.
Contudo, Bráulio permaneceu em terras americanas por mais tempo. Em Nova Iorque, ele torna-se assistente do diretor polonês de audiovisual, Zbig Rybczynski. Tomou algumas broncas por querer ser prestativo, contudo ganhou a confiança do diretor. Nos estúdios de gravação, arrumava os cenários, posicionava atores, montava os trilhos do traveling, entre outras coisas. Passou dois anos com o diretor e participou de três produções, até finalmente se deslocar para Madri em 1991.
Na capital espanhola, Mantovani faz um curso de especialização em roteiro cinematográfico. Escreve seus primeiros roteiros em espanhol utilizando-se de construções específicas do português, justamente por não dominar tão bem o idioma. Essa estratégia acabou lhe rendendo, por parte dos colegas, um estilo. “Pura ignorância” ri-se Bráulio.
De volta ao Brasil, o roteirista começa a trabalhar com vídeos empresariais e posteriormente com vídeos educacionais para a TV Cultura, TV Futura e a Fundação Roberto Marinho, nessa com o Telecurso 2000. É então que na produtora do programa, Mantovani conhece Fernando Meirelles, cineasta que lhe chama para roteirizar o livro de Paulo Lins, Cidade de Deus.
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